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Vamos viciar as crianças?

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RUTH DE AQUINO - 06/11/2012 07h00

Vamos viciar as crianças?

 

RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
 
"Me filma lendo uma poesia de Drummond!”, diz Luiz, de 11 anos. “Tia, escrevi um livro, escrevi um livro!”, grita Henrique, de 12. “Você vem no nosso evento hip-hop, só de meninas? É o ‘Pronto Falei’. Somos as ‘Ladies’. Vou te mandar o ‘flyer’ por e-mail”, fala Mariana, de 16 anos, olhos verdes de gata, faixa de bolinhas brancas nos cabelos, com o notebook no colo.
Crianças e jovens nas comunidades de Manguinhos e da Rocinha, no Rio de Janeiro, estão viciados. Em livros, computadores, filmes, peças, shows, capoeira, dança, música, horta, culinária. Tudo de graça nas bibliotecas-parque do Rio. Para quem aposta na vida e no conhecimento. É um vício que contamina suas mães e seus pais, entra no sangue e muda a forma de ver, refletir e atuar no mundo. Emociona qualquer um disposto a enxergar o outro lado do muro da vergonha, do crack, da violência e dos fuzis.
As bibliotecas-parque no Rio são espaços coloridos de sonho e tecnologia, com acervos de dar inveja a faculdades e livrarias tradicionais. Acervos comprados pelo Estado e não doados. A da Rocinha foi inaugurada em junho passado, numa antiga clínica clandestina de aborto. Recebe 370 pessoas em média por dia. Tem 10 mil livros e 555 DVDs. Até agora, emitiu 1.879 carteirinhas, recebeu 3.754 consultas e emprestou 4.912 livros e filmes.
A de Manguinhos, a primeira do Brasil, abriu as portas em abril de 2010. Antes, era um galpão desativado de suprimentos do Exército, junto a uma praça ocupada por traficantes. Ganhou um prêmio na Bienal do Livro de 2011. Em dois anos e meio, recebeu quase 160 mil pessoas. Conta 105 mil consultas, 36.338 empréstimos e 5.230 carteirinhas. Tem um acervo de 26 mil livros e 1.205 DVDs.
Os números impressionam quem acha “biblioteca” uma coisa elitista, ainda mais em comunidades carentes de tudo, até de esgoto. O mais surpreendente é o conceito desses laboratórios culturais vivos, a sofisticação dos equipamentos e as instalações de Primeiro Mundo.
O vício em livros, filmes, computadores emociona qualquer um que só vê nas favelas crack, violência e fuzis
Em Manguinhos, bem ao lado da “Faixa de Gaza” de onde foram removidos há duas semanas dependentes de crack, vi um menino chegar só de bermuda, parar na porta e vestir a camisa para entrar sem ser advertido. Eles respeitam as regras. E se sentem respeitados, valorizados. Na Rocinha, onde uma instalação de pastilhas giratórias na parede conta, de maneira lúdica, a história da comunidade, uma das placas brancas faz a pergunta: “Qual a pessoa mais importante que já visitou nossa biblioteca-parque?” Viramos a placa e a resposta é...um espelho.
Nos jornais e na televisão, o que dá ibope são as prostitutas infantis da Rocinha, as refinarias de droga em Manguinhos e no Jacarezinho. Não interessa saber que a equipe da superintendente de Leitura e Conhecimento do Estado do Rio, Vera Saboya, é convidada a contar nossa experiência aos bibliotecários de Washington, Paris e Bogotá. Ninguém divulga que a Royal Shakespeare Company, da Inglaterra, envia representantes ao Rio para laboratórios de arte cênica com alunos e professores nas bibliotecas-parque.
“A gente não faz educação formal, não somos escolas”, diz Vera. “Mas estamos desenvolvendo novas formas de educar crianças, jovens e adultos através da arte e da inclusão digital. Sem preconceito com o leitor, com sua classe social, se estuda ou não, se é operário, se chegou ou não à universidade. Ele encontra aqui de tudo – de livros sobre a Grécia Antiga até o best-seller mais vendido. Qualquer um deveria ter acesso a todo tipo de conhecimento, do popular ao erudito.”
A secretária de Cultura do Estado, Adriana Rattes, diz que foi proposital chamar os centros culturais de bibliotecas. “Num país onde se lê tão pouco, não há nada mais revolucionário e inovador do que investir em algo assim. Chamamos de Biblioteca, com letra maiúscula.” E é um “parque”, para mostrar que a aventura do conhecimento pode se dar num espaço propício ao encontro, à troca, ao prazer e ao lazer.
“O que dá gosto aqui”, diz Adriana, “é ver namorados, ou pais com filhos, ou crianças com avós frequentando a Biblioteca aos sábados e domingos, com seus saraus de poesia, cineclube, desfiles de moda e grupos de teatro.” A próxima biblioteca-parque será no alto do teleférico do Complexo do Alemão.
Como jornalistas, aprendemos a máxima de séculos atrás: “Notícia é tudo aquilo que alguém não quer ver publicado; o resto é propaganda”. Somos treinados para a investigação do malfeito, para a denúncia da contravenção. Numa semana como esta, de onda de violência em São Paulo, é um privilégio “denunciar” o bem. Ganhei o dia como testemunha ocular desse outro lado do muro, pouco atraente à mídia. Vamos viciar nossas crianças num mundo melhor porque elas merecem.

 

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O resto é o resto

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06/11/2012

O resto é o resto

Nada mais natural que depois de uma eleição para prefeitos e vereadores, como a de agora  ou para governadores, deputados e presidente, como se fará daqui a dois anos, cada um diga o que bem entender sobre o verdadeiro significado do que aconteceu, com os costumeiros cálculos para estabelecer “quem ganhou e quem perdeu”; deveria ser uma tarefa bem simples concluir que ganhou quem teve mais votos e perdeu quem teve menos, mas esse debate é um velho hábito nacional, e não vai mudar. Outra coisa, muito diferente, é acreditar naquilo que se diz.
Trata-se de uma liberdade de duas mãos: cada um fala o que quiser e, em compensação, cada um entende o que quiser daquilo que foi falado. Na recém-terminada eleição municipal de 2012, como de costume, não ficou claro, nem vai ficar, quanta atenção o público deveria realmente prestar a toda essa conversa que está ouvindo agora. É certo, desde já, que está ouvindo coisas que não fazem nenhum sentido — e, por isso mesmo, provavelmente não perderia nada se prestasse o mínimo de atenção a elas.
A fórmula é sempre a mesma. Cientistas políticos  pescados em alguma universidade ou instituto superior disso ou daquilo, aparecem de repente nos meios de comunicação para explicar, depois de encerrada a batalha, como, por que e por quem ela foi ganha ou perdida. É uma estranha ciência, essa, que, em vez de lidar com fatos comprovados, lida com opiniões. Na anatomia, por exemplo, está dito que o homem tem dois pulmões: não pode haver outra “opinião” quanto a isso. Na ciência política pode. Juntam-se a esses cientistas os políticos propriamente ditos, os comentaristas da imprensa e mais uma porção de gente, e de tudo o que dizem resulta uma salada que a mídia serve ao público como se estivesse transmitindo ao vivo o Sermão da Montanha.
Uma demonstração clara desse tumulto mental é a conclusão, por parte de muitas cabeças coroadas do mundo político, de que a vitória pessoal do ex-presidente Lula na eleição de São Paulo, onde levou para a prefeitura uma nulidade eleitoral que ninguém conhecia três meses atrás, apagou as condenações que seu partido e seu governo receberam no julgamento do mensalão. Está na cara que o resultado não apagou nem acendeu nada, pois eleição não é feita para separar o certo do errado, nem para decidir se houve ou não houve um crime ─ serve, unicamente, para escolher quem vai governar. Dizer o que está certo ou errado é tarefa exclusiva da Justiça; no caso, o STF já decidiu que foi cometida no governo Lula uma catarata de crimes, sobretudo de corrupção. Não há, simplesmente, como mudar isso. A Justiça pode funcionar muito mal no Brasil, mas é o único meio que se conhece para resolver quem tem razão ─ assim como eleição é o único meio que se conhece para escolher governos.
Não foi o “povo brasileiro”, além disso, quem “absolveu” o PT─ ou concorda quando o partido diz que seus chefes são “prisioneiros políticos” condenados por um “tribunal de exceção”, e não por corromperem e serem corrompidos. É curioso, aliás, como os políticos deste país ficam à vontade para falar em “povo brasileiro”. O PT ganhou esta última eleição em 10% dos municípios. E os eleitores dos outros 90%, com 80% do eleitorado, que povo seriam? Esquimós? É dado como um fato científico, também, que Lula foi o maior ganhador da eleição, por causa do resultado em São Paulo. Por que isso? Porque ele próprio, o PT e outros tantos vinham dizendo, desde o começo, que só o município de São Paulo, com pouco mais de 5% dos eleitores brasileiros, importava; o resto era apenas o resto.
De tanto repetirem isso, virou verdade. Mas é falso: não dá para dizer que não houve eleição em Salvador ou Fortaleza, no Recife, em Belo Horizonte e Porto Alegre, onde o PT apresentou candidatos com pleno apoio de Lula e da presidente Dilma Rousseff, e perdeu em todas ─ nas três últimas, inclusive, não sobreviveu nem ao primeiro turno. No mapa mental de Lula é como se nenhuma dessas cidades estivesse em território brasileiro; o Brasil, em sua geografia, começa e acaba em São Paulo. Cinco das principais capitais brasileiras, por esse modo de medir as coisas, são tratadas como se ficassem em Marte.
O que Lula e seu partido fizeram foi construir a ideia de que São Paulo, sozinha, vale mais que todo o restante do Brasil somado ─ e nisso, realmente, tiveram sucesso, pois nove entre dez “profissionais” da política dizem mais ou menos a mesma coisa. Assim é, se lhes parece. Mas o público não tem a menor obrigação de acreditar no que estão dizendo.

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA
J.R. GUZZO
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Ação de igrejas será apurada

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Política

O POVO 

Ditadura militar 09/11/2012

Ação de igrejas será apurada

 

Ex-preso político, torturado e exilado durante a ditadura militar, Anivaldo Padilha, 72, pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, prestou um depoimento à Comissão Nacional da Verdade que desencadeou na criação de um grupo de trabalho para apurar a atuação das igrejas na ditadura (1964-85).

Depois de seu relato, Anivaldo apresentou à comissão livros que mostravam a viabilidade de se pesquisar o tema. A partir daí, foi criado o grupo de trabalho, informou o professor Leonildo Silveira Campos, da Universidade Metodista de São Paulo, que participará das investigações.

“A comissão até então não tinha percebido bem a relação entre as igrejas e a ditadura militar, até que ele apresentou seu depoimento. Começaram a perceber que tinha algo mais amplo. Havia gente das igrejas que faziam o jogo dos órgãos da repressão”, disse Leonildo. “O depoimento dele foi o elemento detonador do processo.”

Anivaldo foi preso em 1970, após ser delatado por um pastor e um bispo da Igreja Metodista que frequentava em São Paulo. Na época, ele dirigia o Departamento Nacional de Juventude e editava a uma revista da igreja, além de participar da Ação Popular, movimento da esquerda cristã.

Após ser preso e torturado, Anivaldo se exilou em 1972, e só voltou ao Brasil em 1979, com a Lei da Anistia. Havia deixado no país a mulher, grávida de Alexandre Padilha --hoje ministro da Saúde--, que só conheceu o pai aos oito anos de idade. (das agências)

 

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Silvio Mota, ex-integrante da ALN: ‘O mensalão foi uma burrice’

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19/10/2012
às 21:33 \ O País quer Saber
 

Silvio Mota, ex-integrante da ALN: ‘O mensalão foi uma burrice’

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA

HUGO MARQUES

O juiz aposentado Silvio Mota foi um dos comandantes do grupo tático armado da Ação Libertadora Nacional (ALN) e integrou as fileiras do Movimento de Libertação Popular (Molipo) – duas organizações guerrilheiras comunistas que atuaram durante a ditadura militar. O magistrado, que conheceu o ex-ministro José Dirceu em 1969, quando ambos faziam treinamento militar em Cuba, hoje dirige a Casa de Amizade Brasil-Cuba e coordena a Comissão em Defesa da Memória, Verdade e Justiça do Ceará. Na entrevista, ele fala das lembranças que guardou dessa relação, que durou até 1974. Depois disso, cada um seguiu seu caminho. Dirceu voltou ao Brasil e passou a viver escondido no interior do Paraná. Silvio ficou em Cuba até a anistia.
Como o senhor vê a condenação do ex-ministro José Dirceu?
Fico triste. Eu queria que o Dirceu fosse absolvido. Ele já pagou. Com todo o aperreio que passou, acho que já pagou.
O senhor concorda com a tese dos condenados de que o julgamento é político?
Não vou discutir temas jurídicos com o Supremo. O diabo é que não dá nem para discutir, pois a tese deles é a mesma que serviu para condenar o Fujimori (Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, condenado a 25 anos de prisão por chefiar paramilitares que mataram 25 pessoas).
Como era o companheiro de militância José Dirceu?
O Dirceu era preguiçoso e egoísta. E continua sendo preguiçoso e egoísta.
Por quê?
Ele fazia tudo pela metade. Na hora do treinamento, do trabalho, de repente tinha uma dor nas costas. O homem faltava e, quando a gente ia ver, estava assistindo a filmes. Olha os projetos que ele tinha!
E o egoísmo?
O Dirceu se preocupava apenas com seus projetos pessoais. Sempre notamos isso. Ele era uma pessoa famosa, fazia amizades, as pessoas o procuravam. Era amigo de gente influente em Cuba, o que lhe garantia alguns privilégios.
O ex-ministro chegou a combater a ditadura militar?
Eu acho quase impossível. Por que diabos o pessoal iria botar o Dirceu para combater? Seria um estorvo. A única coisa relacionada à atividade de guerrilha urbana que consta que ele teria feito, salvo engano, foram “levantamentos em São Paulo”. A gente fazia muita loucura. Mas mandar um cara como o Dirceu reconhecer o terreno seria um absurdo.
O senhor esteve sempre ao lado de José Dirceu em Cuba?
Eu cheguei dias depois dele, em 1969. Houve uma época em que eu o via diariamente. Depois, comecei a trabalhar nas brigadas de construção industrial, mas ele não estava lá. Imagine o Dirceu trabalhando numa brigada de construção industrial…
Vocês moravam no mesmo acampamento?
Sim. Ele era boa-praça, a gente conversava. Só tem esse problema, como já disse: é preguiçoso e egoísta, e acabou se lascando por causa disso. O Dirceu, no entanto, é inegavelmente uma liderança do PT. Isso ele é, sempre foi. O papel dele na história do Brasil é enorme. Ele é o homem que liderou o movimento estudantil. Tem carisma, habilidade. Mas o mensalão foi uma burrice.
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Darwinismo social

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Darwinismo social

 

A pesquisa sobre violência urbana da Universidade de São Paulo (USP) revelada pelo O POVO neste ano mostrando que 57,5% dos fortalezenses são favoráveis à pena de morte elegendo assim a terra de José de Alencar como o maior índice desse desejo no País, pegou de surpresa a opinião pública. As alegações para esse assustador número de partidários da pena capital foram diversas, especialmente a sensação de insegurança e a falência do sistema de segurança e da Justiça criminal. Não há evidências de que a pena de morte tenha reduzido a criminalidade nos países em que foi implantada, pelo contrário, inclusive, os EUA são o único país, que se diz democrático, que ainda recorre à pena capital, mas há contradições, pois, curiosamente, somente pretos, pobres e prostitutas acabam sendo alcançados pelas injeções letais ou sentam nas cadeiras elétricas.

Não foi por falta de aviso que a violência urbana chegou ao descontrole das autoridades públicas, pois a escalada era visível e previsível. Há outros três fatores fenomenológicos relativamente recentes que auxiliaram na explosão da violência urbana e, talvez, no despertar desse repentino desejo assustador de legitimar a pena de morte: a exploração ilegal da violência nos programas policiais televisivos; a explosão do consumo de drogas, especialmente o crack, e o caos urbano que tem potencializado o estresse e o medo na população.

O darwinismo social deseja controlar a espécie humana (numa referência à seleção natural de Darwin de controle da espécie), pois o que se vê claramente é uma sociedade cada vez mais individualista e egoísta e que nada faz para melhorar a convivência social. Recorrer à pena de morte é declarar a falência do Estado e da sociedade, pois, queiram ou não, todas essas pessoas envolvidas na violência urbana são psicologicamente vítimas da própria sociedade hedonista e materialista em que vivemos.

Luís Olímpio Ferraz Melo
felicidade@secrel.com.br
Advogado e psicanalista 
 ARTIGO 02/11/2012

O POVO

 Jornal de Hoje 

 Opinião

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Para PPS, novas revelações de Valério reforçam pedido de inquérito contra Lula

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Para PPS, novas revelações de Valério reforçam pedido de inquérito contra Lula



Para PPS, novas revelações de Valério reforçam pedido de inquérito contra Lula  
 Foto: Tuca Pinheiro
Freire: Quem desistiu da representação que se explique
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse à imprensa que as novas revelações do publicitário Marcos Valério trazidas ao público pela Revista Veja tornam ainda mais urgente a abertura de inquérito na Procuradoria Geral da República contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Edição deste fim-semana da revista mostra que a proximidade entre o petista e o operador do mensalão é muito maior do que se pensava.Leia aqui íntegra da reportagem.

"Nós temos que nos posicionar, não podemos esperar. A cada dia surgem novos fatos. Nós precisamos que o Ministério Público abra um novo inquérito para investigar tudo isso", justificou Freire

O presidente do PPS também reafirma que o partido vai ingressar na próxima terça-feira, às 15h30min, com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja aberta uma investigação sobre a suposta participação de Lula no mensalão. “Se o DEM o PSDB desistiram, eles é que têm que explicar o motivo”, disse Freire, ao comentar matéria publicada pela Agência Estado.

Sobre as novas informações de Marcos Valério, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR) disse que isto mostra, mais uma vez, a complexidade das ações criminosas envolvendo o PT:  "Isso não vai acabar tão cedo. Cada vez que você mexe, você puxa um fio de uma meada maior. E chega ao Lula. Nada disso aconteceu sem o seu conhecimento e sem sua ordem de comandante do processo."

Entrar com ação na PGR foi acordado entre todos

Na última quarta-feira (31), o presidente nacional do PPS acertou com PSDB e DEM o ingresso da representação contra Lula para o dia seguinte, que seria quinta-feira (1). Devido ao feriado no Judiciário, a entrega foi adiada para a próxima terça-feira. Cópia do documento foi aprovada, inclusive, pelos advogados do DEM e do PSDB. O senador Agripino Maia concordou na quarta-feira.  Mas,  nesta quinta-feira, o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE),  em entrevista, disse preferir manter a "cautela", e negou a assinatura do partido, confirmada anteriormente por outros dirigentes da legenda. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), segundo Freire, manteve a posição de assinar a representação contra Lula.

Segundo o PPS , o partido responde por si mesmo e não vai condenar os recuos. “Só nos surpreende essa desistência”, comentou Freire, que lembra que, em nota conjunta das legendas, divulgada para a imprensa no dia 18 de setembro, os presidentes dos três partidos se comprometeram: “A oposição fará a sua parte. Encerrado o julgamento em curso no STF, cobrará a investigação dos fatos ao Ministério Público”, diz o texto.

O julgamento, no que cabe às condenações, foi encerrado. Falta apenas a definição das penas. Freire não vê motivos para postergar mais a iniciativa anunciada em setembro.

A representação
Segundo a representação, Lula poderia estar por trás de toda a “engrenagem criminosa” do mensalão. O PPS alega que o ex-presidente tinha “íntima” relação com o então ministro José Dirceu e defende a tese da teoria do domínio do fato, que foi utilizada no caso do petista.

Lula: Beneficiário maior
“Lula foi o principal beneficiário do esquema do mensalão; teria sido seu mandante também? Esta é uma pergunta que todos os brasileiros se fazem e que precisa de resposta”, disse Freire ao explicar por que propõe a representação. Ele explicou que desde as revelações do publicitário Marcos Valério à Veja os oposicionistas queriam propor a representação, mas não queriam correr o risco de atrapalhar o julgamento.

Na última quarta-feira (01/11) já havia sido revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo que o operador do esquema prestou depoimento ao Ministério Público, no mês de setembro, citando Lula e o ex-ministro Antônio Palocci no esquema do mensalão. Revelou ainda que fez outras remessas de dinheiro ao exterior. Temendo ter o mesmo destino do prefeito petista Celso Daniel, assassinado em 2002, Valério pede para ser incluído no programa de proteção à testemunha.

O PPS pondera que o Supremo Tribunal Federal descartou a participação de Lula no esquema, mas, frisa, apareceram fatos novos no curso do julgamento.

O documento a ser entrega à PGR cita reportagem de capa da revista Veja, na qual pessoas ligadas a Valério envolvem Lula no esquema. Essas revelações são um fato novo que, na avaliação do que o PPS que propõem a representação, requer nova investigação. “O representado (Lula) seria o verdadeiro chefe de todo o esquema criminoso que ficou conhecido como mensalão”.

O PPS estuda incluir as novas informações sobre a proximidade entre Lula e Marcos Valério na ação.

"Vamos analisar o que fazer com a denuncia de Valerio sobre assassinato do Celso Daniel e suposto envolvimento de Lula", escreveu Freire em sua conta virtual no Twitter,

Segredos
Vários trechos da matéria da revista são citados. Um deles diz que “os segredos de Valério, se revelados, põem o ex-presidente Lula no epicentro do escândalo do mensalão. Sim, no comando das operações”.

A revista informa, ainda, que o próprio Lula se empenhava na obtenção de dinheiro para a engrenagem do esquema. Outra informação de Veja é que Valério teria afirmado que “Lula comandava tudo” e que o operador dos pagamentos não passava de “boy de luxo”. “Lula era o chefe”, teria desabafado Valério a pessoas próximas.

No documento, o PPS alega que pode ser que as afirmações da revista sejam meras especulações, mas elas também podem não ser. Esse “indício” merece ser investigado, ponderam os partidos de oposição.

Testemunha
A representação coloca a possibilidade de o próprio empresário mineiro ser testemunha da participação de Lula no mensalão. “Se a reportagem estiver retratando a realidade, é bem possível que Marcos Valério esteja disposto a contar tudo o que sabe, “inclusive indicando os caminhos para a obtenção de provas que sejam suficientes para a propositura de uma ação penal contra o representado”.

O memorial de defesa de Marcos Valério entregue aos ministros do STF não chega a imputar responsabilidade a Lula, mas sugere que ele esteve envolvido em todo o esquema. “A própria defesa de Marcos Valério traz elementos que colocam em dúvida a frase que reiteradamente foi repetida pelo representado, no sentido de que ele ‘não sabia de nada”.

Texto atualizado às 12h42 deste sábado 03/11/2012
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FINADOS 2012

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FINADOS 2012 


Os sinos tocaram
pelas DITADURAS

Que neste “Finados de 2012”
Toque pelas suas vitimas

Toquem,
Para que elas cessem
De fazer vítimas

Vítimas  Visíveis
Vítimas ocultas

Ocultas pelas
“Cataratas das ‘Sociedades’ ”

Profº Candido.
Profº Candido é membro da Sopoema.
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